Biopolímero na lixiviação de ouro: o ExtracTech interfere na adsorção do carvão ativado?
Na lixiviação de ouro, a eficiência da recuperação metalúrgica depende da integração entre diferentes etapas do processo. A pré-alcalinização, a cianetação e a adsorção em carvão ativado trabalham em conjunto para garantir uma operação estável, segura e com alto rendimento.
Tradicionalmente, a etapa de pré-alcalinização utiliza cal e outros reagentes para elevar o pH da polpa e criar as condições ideais para a cianetação. Embora essa prática seja consolidada na mineração, a busca por soluções que aumentem a eficiência operacional, reduzam o consumo de reagentes e melhorem continuamente o desempenho da lixiviação faz parte da evolução do setor.
Nesse contexto, o ExtracTech surge como uma inovação desenvolvida para trazer ganhos ainda maiores comparado ao processo convencional. O biopolímero atua na etapa de pré-alcalinização e pode ser dosado diretamente nos sistemas já existentes da planta, sem necessidade de alterações no circuito operacional.
Entre os principais benefícios da tecnologia estão a redução de até 35% no consumo de cianeto e o uso de até 20 vezes menos agente alcalinizante, contribuindo para menores custos operacionais e uma lixiviação mais eficiente.
No entanto, sempre que um novo reagente é incorporado ao circuito, é fundamental comprovar que sua utilização não compromete as etapas seguintes da recuperação de ouro. Uma das principais dúvidas entre as mineradoras, é se o biopolímero pode interferir na cinética ou na eficiência da adsorção do ouro pelo carvão ativado.
Essa preocupação é comum porque muitos profissionais associam polímeros a materiais viscosos, capazes de recobrir superfícies e, potencialmente, reduzir a capacidade de adsorção do carvão.
Para responder a essa questão, apresentamos os resultados de um estudo realizado para avaliar se a presença do biopolímero ExtracTech interfere na cinética ou na eficiência da adsorção de ouro pelo carvão ativado, utilizando tanto carvão ativado novo quanto carvão regenerado.
Como foi avaliada a influência do ExtracTech na adsorção pelo carvão ativado
Objetivo do estudo
O objetivo do estudo foi provar que o ExtracTech ao ser utilizado como aditivo na lixiviação do ouro não apresenta impacto negativo sobre a cinética ou na eficiência da adsorção de ouro pelo carvão ativado.
Para isso, foram avaliadas duas condições frequentemente encontradas nas operações de mineração:
- Carvão novo;
- Carvão regenerado.
Como o teste foi realizado
Foi realizado o teste de cinética de adsorção de ouro utilizando uma solução padrão contendo 10 ppm de ouro, permitindo avaliar especificamente a interação entre o ExtracTech e o carvão ativado novo e o regenerado.
Cada condição experimental foi realizada em duplicata, totalizando:
- 2 testes do sistema controle (Tal Qual);
- 2 testes utilizando ExtracTech.
Os resultados apresentados neste artigo correspondem à média dos ensaios.
As principais condições experimentais foram:
- Solução padrão contendo 10 ppm de ouro;
- Volume de solução: 1 litro;
- pH de aproximadamente 10,2;
- Concentração de 240 ppm de NaCN;
- Agitação contínua;
- Amostragens após 1, 2, 4, 8, 16 e 24 horas.
Durante o estudo foram avaliados:
- A cinética de adsorção do ouro;
- A eficiência de adsorção.
Resultados utilizando carvão ativado novo
A primeira etapa da avaliação foi realizada utilizando carvão ativado novo.
Os resultados mostraram que a presença do ExtracTech não alterou a cinética de adsorção do ouro em relação ao sistema controle. Desde a primeira hora de avaliação, ambos os sistemas apresentaram eficiência de adsorção superior a 94%, ultrapassando 99% ao final do estudo.
Table 1. Average gold adsorption using new activated carbon, based on two tests per condition
| Evaluation Time | Control Average | ExtracTech Average |
| 1 hour | 94.59% | 95.30% |
| 2 hours | 96.03% | 97.10% |
| 4 hours | 96.39% | 96.97% |
| 8 hours | 97.94% | 98.65% |
| 16 hours | 99.24% | 99.67% |
| 24 hours | 99.43% | 100.00% |
Os resultados demonstram que a presença do ExtracTech não compromete a adsorção do ouro pelo carvão ativado.
Ao contrário, durante toda a avaliação, o sistema contendo o biopolímero apresentou percentuais de adsorção iguais ou superiores aos do sistema controle, alcançando 100% de adsorção ao final do teste.
Resultados utilizando carvão regenerado
Na segunda etapa do estudo, a mesma metodologia foi aplicada utilizando carvão regenerado, condição amplamente utilizada em operações industriais.
Assim como observado com o carvão ativado novo, a presença do ExtracTech apresentou comportamento equivalente ao sistema controle durante toda a avaliação.
Table 2. Average gold adsorption using regenerated activated carbon, based on two tests per condition
| Evaluation Time | Control Average | ExtracTech Average |
| 1 hour | 5.72% | 16.86% |
| 2 hours | 18.79% | 20.13% |
| 4 hours | 30.06% | 33.12% |
| 8 hours | 46.48% | 43.89% |
| 16 hours | 60.40% | 62.18% |
| 24 hours | 68.00% | 74.08% |
Embora pequenas diferenças tenham sido observadas entre alguns pontos de amostragem, elas permaneceram dentro da variabilidade esperada para esse tipo de avaliação.
Conforme registrado no relatório técnico, um dos ensaios apresentou um comportamento pontual fora da tendência nas primeiras amostragens, atribuído à variabilidade analítica ou de amostragem, sem relação com a presença do biopolímero.
Mesmo diante dessa variabilidade, o sistema contendo ExtracTech manteve desempenho consistente durante toda a avaliação e apresentou resultados equivalentes ou superiores ao sistema controle, encerrando o teste com um percentual médio de adsorção de 74,08%, frente a 68,00% do controle.
Esses resultados demonstram que além do biopolímero não interferir negativamente na cinética de adsorção, ainda tem-se um ganho na cinética e recuperação metalúrgica ao final das horas de lixiviação.
O que os resultados demonstram?
Os resultados respondem de forma objetiva à principal dúvida relacionada ao uso do ExtracTech na lixiviação de ouro: o biopolímero não interfere negativamente na cinética de adsorção do ouro pelo carvão ativado.
Nos testes realizados com carvão ativado novo, o sistema contendo ExtracTech apresentou percentuais de adsorção iguais ou ligeiramente superiores aos do sistema controle em todos os pontos avaliados, alcançando 100% de adsorção ao final do estudo.
Nos testes com carvão regenerado, o comportamento foi igualmente consistente. Apesar da variabilidade esperada para esse tipo de avaliação, o sistema contendo o biopolímero manteve desempenho equivalente ou ligeiramente superior ao controle durante o estudo e encerrou a avaliação com um percentual médio de adsorção em torno de 6% superior ao observado no sistema controle.
Em conjunto, esses resultados demonstram que o ExtracTech preserva a eficiência da adsorção pelo carvão ativado e, nas condições avaliadas, apresentou desempenho equivalente ou ligeiramente superior ao sistema convencional. Dessa forma, o estudo confirma que o biopolímero pode ser incorporado ao circuito de lixiviação sem comprometer uma das etapas mais importantes.
Conclusão
Os testes realizados demonstram que o ExtracTech pode ser utilizado na etapa de lixiviação sem comprometer a cinética ou a eficiência da adsorção de ouro pelo carvão ativado.
Tanto nos estudos conduzidos com carvão novo quanto com carvão regenerado, o biopolímero apresentou desempenho equivalente ao sistema controle, confirmando que sua presença não interfere negativamente na capacidade de adsorção do carvão.
Essa evidência técnica reforça a compatibilidade do ExtracTech com processos de lixiviação que utilizam carvão ativado para recuperação de ouro, permitindo que as operações aproveitem os benefícios da tecnologia, como a redução de até 35% no consumo de cianeto e o uso de até 20 vezes menos agente alcalinizante, sem comprometer o desempenho da etapa de adsorção.
